Tribunal recebe delegada Chefe da Polícia Civil do RS no ciclo de palestras de aniversário

29/03/2019

Com a participação das delegadas de polícia Nadine Tagliari Farias Anflor e Tatiana Bastos, foi encerrado nesta tarde (27/3) o ciclo de palestras comemorativo ao aniversário de 30 anos de criação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). A conferência, que abordou o tema do papel da mulher na segurança pública, ocorreu no auditório da corte, em Porto Alegre (RS). Nadine é a atual Chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul e Tatiana é diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher da Polícia Civil e titular da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher da capital gaúcha.

O presidente do tribunal, desembargador federal Thompson Flores, fez a abertura da palestra, apresentando o currículo das convidadas e as contribuições delas para a segurança pública do estado.

“Estamos encerrando esse ciclo de palestras comemorativas com chave de ouro, tenho certeza disso. Temos como conferencistas duas excelentes profissionais, que são verdadeiras referências na temática da segurança pública e de carreira policial, e vão nos compartilhar as suas marcantes experiências como mulheres trabalhando como delegadas”, declarou o magistrado.

Nadine, a primeira mulher a chefiar a Polícia Civil do RS em 177 anos de história da instituição, relembrou a sua trajetória pessoal e profissional até chegar ao cargo atual, para a plateia composta de magistrados, servidores e estagiários da Justiça Federal da 4ª Região. “Nós mulheres somos capazes de estar e trabalhar em qualquer lugar”, falou na abertura de sua participação no evento.

Ela destacou a atuação de outras mulheres nesse campo de trabalho. “Se hoje eu estou aqui, chefiando um órgão policial, foi porque muitas outras vieram antes de mim e trilharam esse caminho”, reforçou. A palestrante complementou que “em 1970, as mulheres ingressaram na polícia pela necessidade de criar uma delegacia especializada em atender e até revistar mulheres por policiais que não fossem homens”.

Nadine ressaltou as dificuldades enfrentadas pelo gênero feminino na área policial. “Entramos na segurança pública para ajudarmos e protegermos outras mulheres, mas também precisamos provar constantemente que somos tão competentes e capazes quanto os homens”, disse.

A chefe da Polícia Civil gaúcha concluiu falando sobre a necessidade da presença feminina em diversos setores da vida social. “Podemos e devemos ocupar esses espaços e ampliar cada vez mais o papel da mulher na sociedade civil”, ela apontou.

Já Tatiana abordou as questões da violência de gênero e a violência doméstica familiar contra a mulher, apresentando a sua vivência no comando da 1ª Delegacia Especializada de Porto Alegre com o atendimento às vitimas que passam por essas situações.

Ela ainda trouxe dados e pesquisas nacionais sobre o assunto. “Em 87% dos casos, os agressores são os maridos e companheiros, além disso, 33% das mulheres agredidas foram vitimadas antes de completar 19 anos de idade”, destacou.

A delegada ressaltou a importância da existência da legislação protetiva das mulheres, em especial a Lei Maria da Penha, e a necessidade dos órgãos de polícia de empregar uma atenção e esforço direcionados a essas vítimas.

“No contexto desses casos, ocorre não somente a violência física, mas também moral, psicológica, sexual. Estas são tão ou mais perversas e prejudiciais que a violência física para as mulheres. Todas essas formas de agressão precisam ser combatidas em nossa sociedade”, afirmou.

Tatiana concluiu o panorama sobre os desafios da mulher alertando que “comemoramos os avanços que já foram feitos, mas continuamos trabalhando e fiscalizando sobre o que ainda precisa melhorar”.

Após as palestrantes encerrarem suas falas, foi aberto o espaço para a plateia fazer perguntas às convidadas. Nadine esclareceu a importância do conceito de feminicídio na lei. “Desde 2015, quando é identificado que durante o homicídio a vítima foi diminuída pelo simples fato de ser mulher, o crime é configurado como feminicídio”, explicou.

“Muitas mulheres aguentam caladas por se sentirem fragilizadas, sem auto-estima, por medo de represálias, dependência econômica e até a existência de filhos”, declarou Tatiana. Ela ainda falou sobre a importância da vítima denunciar o agressor. “72% das mulheres que morrem no RS nunca denunciaram o agressor”, relatou a delegada.

Nadine ainda falou sobre a iniciativa chamada de Rede de Proteção. “São casas-abrigos que recebem mulheres e seus filhos que foram vítimas da violência doméstica. Não é uma rede de políticos ou de governos, mas sim de pessoas”, ela afirmou.

Visita

Antes do evento, o desembargador Thompson Flores recebeu as palestrantes no gabinete da Presidência do tribunal. O magistrado as cumprimentou pelo trabalho que desenvolvem na atividade policial e na segurança pública, destacando a importância da atuação integrada entre os órgãos policiais e os judiciários.

“É essencial para o desenvolvimento da nação que o Poder Judiciário, o Ministério Público e as forças policiais trabalhem juntos para a segurança e proteção da população”, disse Thompson Flores.