A advocacia demanda especializações e criatividade, diz presidente da Subseção-Londrina

16/07/2020

Em reunião on-line do Fórum Desenvolve Londrina, com o tema Retenção de Talentos e Geração de Empregos e Renda, a presidente da OAB-Londrina, Vânia Queiroz abordou as ações realizadas pela entidade para preparar e aprimorar o trabalho da advocacia regional, tornando-a uma referência no Estado. A reunião foi realizada na manhã desta quinta-feira, 16 de julho, e contou também com exposição do presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Fernando Moraes; e da presidente da Associação Médica de Londrina. Beatriz Tamura. 

Vânia Queiroz alertou que, das 45 cidades do porte de Londrina nas regiões sul e sudeste, estamos em 28ª colocação, com um PIB per capta muito aquém do desejável. Também expôs que o Brasil é o terceiro país com o maior número de advogados do mundo, situação bastante preocupante. 

Em Londrina e 16 comarcas que  compõem a Subseção, são cerca de 8 mil profissionais e, anualmente, a Subseção recebe entre 500 e 600 novas inscrições. “Esses números são um indicativo da disputa e competitividade no nosso mercado de trabalho”, citou. Outra situação preocupante, segundo a presidente da entidade, é a quantidade de cursos que são criados sem a preocupação de um filtro de qualidade. 

Como enfrentar os obstáculos 

A OAB trabalha em várias frentes para manter a qualidade da advocacia e um ambiente competitivo adequado às necessidades da sociedade. Vânia Queiroz informa que, quando foi conselheira estadual da OAB-PR, propôs a suspensão da criação de novos cursos no país por cinco anos. Os conselheiros analisaram a proposta e aprovaram ampliando o prazo para 10 anos. “O curso de Direito tornou-se de fácil acesso, com cursos presenciais e EAD e, inclusive, muitos deles de qualidade duvidosa. Precisamos resgatar a qualidade do ensino de Direito”, sustentou. 

Ela também colocou em evidência as atividades da Subseção Londrina que dão suporte à qualificação do profissional que atua na região e na orientação aos novos profissionais, que chegam anualmente ao mercado de trabalho. 

“Em Londrina há uma divisão evidente entre advocacia pública e privada. Cerca de 60% dos estudantes já se direcionam para concurso, pela segurança e pelos salários pagos. Apenas uma parcela se direciona para a advocacia privada. Muitos partem para suas próprias bancas e se associam a sociedade de advogados, que é uma grande facilidade para agregar talentos e várias especialidades dentro de uma banca que se instala em Londrina. A Sociedade de Advogados é também uma forma de abrir um mercado de emprego na área de advocacia,  com a contratação de advogados, bacharéis e estagiários”, mencionou. 

Nichos de mercado 

As novas formas de relação social também exigem criatividade e novas especialidades dos advogados, destacou Vânia Queiroz. Nesse aspecto, a Subseção realiza eventos constantes para apresentar novas oportunidades e conhecimentos específicos aos profissionais. Além de 48 comissões de trabalho da Subseção, cada uma com foco numa área de atuação, Vânia Queiroz lembrou do importante papel da Escola Superior de Advocacia do Paraná, que oferece cursos práticos e que auxiliam o refinamento da advocacia no Estado.

“Londrina necessita, cada vez mais, da especialidade de advogados. Antes era uma realidade de grandes centros e hoje vemos essa necessidade para atender a demanda da sociedade local e regional”, disse ela. E citou alguns exemplos, como Direito do Agronegócio, Compliance, Arbitral, Ambiental, Sucessões, Saúde, Recuperação Judicial, Tecnologia e Sistêmico. “Na OAB, trabalhamos para que as carreiras dos advogados sejam nas áreas especializadas, concentrando mão-de-obra na nossa região e tornando-a um centro de prestação de serviços da advocacia”. 

Sobre as possibilidade do mercado de trabalho  ressaltou  as “qualidade de Londrina  por seus recursos naturais, meio ambiente e infraestrutura, além da  localização  estratégica para um polo regional de desenvolvimento. 

Jovem advogado 

O advogado iniciante também está entre as prioridades da OAB-Londrina. “Sempre tivemos essa preocupação. Em 2013/2014  iniciamos projetos para suprir o trabalho dos advogados da defensoria pública, já que é um dever do  Estado e tem um número insuficiente para o desempenho da função.  Buscamos uma forma de atendimento voluntário com remuneração e criamos a figura do Advogado Dativo, que tem funcionado muito bem  no Paraná através de  uma Lei Estadual”. 

Hoje, segundo ela, cerca de 30% dos advogados de Londrina sobrevivem atuando como advogado dativo. “Foi uma solução que a Ordem do Paraná encontrou  junto ao estado para suprir a sua deficiência e para que o jovem advogado possa ascender na profissão, até que tenha uma clientela própria”, explicou.